segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pacientes psiquiátricos encenam paixão de Cristo nessa terça

Um clima de emoção e ansiedade está presente no Hospital Severino Lopes.Vestindo um figurino,
utilizando-se de uma cenografia, música e dramaturgia, o usuário/portador de transtorno mental, agora atores, tem oportunidade de utilizar a arte como forma terapêutica e de encantamento do mundo.

É nessa atmosfera mágica que nessa terça-feira(15), a partir das 14h, acontece a confraternização da Páscoa da instituição com a apresentação da peça teatral a Paixão de Cristo. A festa é uma das mais aguardadas da instituição e mobilizou, nos últimos dias, a todos, pacientes e funcionários,  com confecção de figurinos, adereços e ensaios.

A peça retratará os momentos da Paixão de Cristo, a sua via sacra, a sua morte e ressurreição . O grupo de atores é composto por cerca de 15 pacientes. O público estimado é um total de 300 pessoas entre demais pacientes,  funcionários, familiares e amigos.

O espetáculo é uma das atividades do grupo teatro do hospital "Criando Ideias" que é coordenado pelo setor de psicologia e terapia ocupacional. Além de entretenimento e arte, o teatro é utilizado como
recurso terapêutico no tratamento de pessoas com transtorno mental, pois através dele, o indivíduo tem a possibilidade de exercer outros papéis sociais, explorando potencialidades, desenvolvendo a auto-percepção, autoestima e expressando sua criatividade. Objetivando na expressão de pensamentos e sentimentos por meio da arte, espaço coletivo de socialização e treinamento de habilidades sociais, possibilitando autonomia, comunicação, expressão de ideias que serão concretizadas no próprio grupo de teatro e, posteriormente, no contato com a sociedade.
A programação da festa ainda contará com a distribuição de lembranças confeccionados pelo setor de Terapia Ocupacional, distribuição de lanches e música ao vivo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Justiça determina que plano de saúde pague tratamento a dependente químico

O dependente químico já está internado desde o dia 15 de fevereiro, e o período a ser custeado pelo plano conta a partir dessa data


Um dependente químico conseguiu na Justiça de Pernambuco o direito de ter seu tratamento custeado por seu plano de saúde. A Sul América Companhia de Seguro Saúde teria negado a cobertura do tratamento, sob a alegação de que o contrato não previa tratamentos psicológicos ou psiquiátricos de qualquer natureza, bem como o tratamento de dependência de drogas em clínicas especializadas. Entretanto, a prescrição médica afirmava que o homem precisava ser internado para tratamento integral em caráter de urgência.


O plano terá 24h a partir da ciência da decisão para cumprir a determinação sob pena de multa diária de R$ 1 mil. A liminar foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico e a ré pode recorrer. A Sul América deverá e assumir e arcar com a cobertura de todas as despesas referentes a internação do autor da ação no Centro Terapêutico Libertação e Vida, com acompanhamento psiquiátrico e psicológico, pelo período de 180 dias. O dependente químico já está internado desde o dia 15 de fevereiro, e o período a ser custeado pelo plano conta a partir dessa data.

De acordo com o juiz da 28ª Vara Cível do Recife, Cláudio Sampaio, o fato de o contrato excluir a cobertura para o tratamento da dependência não pode ser sustentado pela ré, uma vez que, “após a vigência da lei 9656/98, passou a ser obrigatório o atendimento a portadores de transtornos mentais, inclusive nos casos de intoxicação ou abstinência provocadas por alcoolismo, drogas ou outras formas de dependência química”. Ainda segundo Sampaio, na regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) consta que a internação sem limite de tempo é um direito de quem contrata um plano de saúde, desde que seja uma prescrição médica.

Fonte: Portal NE

quarta-feira, 26 de março de 2014

Prisão de Nova York luta contra aumento da violência e doenças mentais

Michael Schwirtz - NYT
Damon Winter/NYT




A prisão de Rikers, em Nova York, sofre com a violência de diversas gangues e de guardas correcionais 

A prisão de Rikers, em Nova York, sofre com a violência de diversas gangues e de guardas correcionais

Com uma seca precisão burocrática, os relatórios diários de incidentes em Rikers Island são uma crônica da violência e da desordem que proliferam dentro do grande complexo prisional da cidade de Nova York.


Desde a noite de Ano Novo, de acordo com relatórios internos, pelo menos 12 detentos foram cortados ou esfaqueados, oito deles no rosto ou pescoço. Presos e oficiais de correção sofreram lacerações, concussões, tímpanos furados, e fraturas no nariz, olhos, queixos e quadris. Em uma briga recente, um pedaço da orelha de um preso foi arrancado a mordidas, de acordo com relatórios confidenciais que foram obtidos pelo The New York Times.

Desde os motins de gangues nos anos 80 e início dos 90 a violência em Rikers Island não alarmava tanto os oficiais de supervisão, líderes sindicais e defensores dos presos. Ao longo da última década, o uso da força por funcionários de correção aumentou quase 240%, mesmo enquanto a população diária diminuiu quase 15% durante o mesmo período, de acordo com dados do Departamento de Correção da prefeitura, obtidos por meio da Lei de Liberdade de Informação.

A confusão dentro das prisões da cidade chama a atenção principalmente por causa do declínio histórico nas taxas de homicídio e outros crimes violentos fora delas. No centro do aumento da violência está uma população de detentos que mudou significativamente nos últimos anos e sob vários aspectos ficou mais volátil.

Em particular, os oficiais de correção têm tido dificuldades com uma concentração cada vez maior de presos doentes mentais que, segundo os especialistas, costumam responder de forma desafiadora ou errática às medidas disciplinares duras, de tolerância zero, empregadas com sucesso no passado.

Embora as condições hoje estejam bem longe da quase-anarquia de 20 anos atrás, as ferramentas usadas para controlar essa era de violência podem agora ser em parte responsáveis por criar mais desordem.

Relatos de abuso


Em entrevistas, presos e ex-presos descreveram abusos arbitrários e injustificados por parte de outros detentos e oficiais de correção.

Robert Hinton, que toma remédio para agressão e paranoia, disse que ele e outro prisioneiro de Rikers foram atacados violentamente por oficiais de correção. "Fui algemado, eles nos chutaram, socaram, jogaram lixo em nós, e jogou spray paralisante em mim - tudo ao mesmo tempo", disse Hinton em uma entrevista.

Em outro confronto, disse Hinton, ele apanhou de pelo menos 10 oficiais de correção em abril de 2012 depois de se recusar a sair de sua cela. Ele sofreu uma fratura no nariz e em uma vértebra e disse que foi asfixiado até desmaiar. Um dos oficiais disse a ele: "É hoje que você vai morrer", relatou Hinton.

Hinton, 26, que está processando o município por causa da briga, foi levado de volta a Rilkers na semana passada por violar sua condicional. Um porta-voz do Departamento de Correção disse que a agência não comentaria o processo de Hinton porque é um processo em andamento.

Outro preso, Rodney Brye, 40, foi inocentado depois de passar quase quatro anos em Rikers Island por uma acusação de porte de arma. Ele saiu em 2012 com duas vértebras fundidas e uma placa em seu pescoço e agora anda com uma bengala como resultado de uma surra dos oficiais de correção, segundo ele. Ele também está processando o município. "Eles te batem com qualquer coisa; batem até com um rádio", disse ele. "Você pode tirar a vida de alguém dessa forma, e eles fazem isso com frequência."

Norman Seabrook, presidente da Associação Benevolente de Oficiais de Correção, disse que os funcionários estavam assustados com uma população de presos difícil e normalmente violenta. Os oficiais são alvos de socos e chutes rotineiramente, e às vezes obrigados a tomar urina e fezes, disse Seabrook. Este mês, um oficial teve o rosto perfurado por uma caneta.

A violência vem crescendo lentamente por trás dos muros e cercas de arame farpado de Rikers Island, obscurecida por outras prioridades do município.

O prefeito Bill de Blasio, que assumiu o governo em janeiro prometendo coibir os abusos no Departamento de Polícia e promover uma reforma na educação, falou pouco sobre as prisões, embora tenha reconhecido a necessidade de mudanças. Na semana passada, ele nomeou Joseph Ponte, um oficial de correção de longa data conhecido por reformar prisões e cadeias violentas por todo o país, para chefiar o Departamento de Correção.

Ao apresentar Ponte, o prefeito disse que o departamento tinha "infelizmente ficado para trás de outros sistemas correcionais em termos de atualizar suas práticas e procedimentos."
A situação em Rikers Island espelha uma "epidemia de violência" nas grandes prisões municipais por todo o país, disse o Dr. James Gilligan, professor de psiquiatria e coautor de um relatório de 2013 que revelou que o tratamento de presos doentes mentais em Rikers Island violava as normas municipais de saúde mental.
Ele disse que uma confiança excessiva no confinamento solitário e na força em Rikers Island e em outros lugares perpetuavam a violência entre os presos, particularmente entre os doentes mentais, que lotaram as instituições correcionais do país com o fechamento de hospitais psiquiátricos e outras instituições.
"Uma prisão como Rikers Island tem uma subcultura de violência", disse Gilligan. Numa visita recente a uma unidade de confinamento solitário juvenil em Rikers, ele disse: "Vimos jovens que tinham apanhado até ficar em carne viva."

Um jovem preso, disse Gilligan, havia sido algemado pelos oficiais de correção, que então bateram a cabeça dele contra o chão. O preso, disse ele, tinha uma concussão e havia perdido um dente, e estava vomitando e urinando sangue. O preso foi levado para a unidade médica para tratamento, disse ele.

Um grupo vulnerável


Com 10 prisões abrigando uma população média diária de quase 12 mil detentos, Rikers Island - na ilha de mesmo nome em East River, próxima ao aeroporto La Guardia - é um dos maiores complexos prisionais do país. Embora seja principalmente um centro pré-julgamento, ela abriga alguns presos condenados.

Lá dentro, a tensão é crítica. Gangues rivais - os Crips, os Bloods, os Latin Kings e os Trinitarios - disputam poder e derramam sangue como numa guerra de tronos carcerária. Brigas violentas emergem por causa do telefone ou do canal da televisão, dizem presos e oficiais de correção. Os oficiais, usando coletes e armados com spray de pimenta e cassetetes, recorrem à força com frequência e, segundo os críticos, com excesso.

Nesse ambiente, presos doentes mentais são particularmente vulneráveis, dizem os especialistas. A proporção de prisioneiros com doenças mentais diagnosticadas cresceu de 20% para 40% ao longo dos últimos oito anos, de acordo com o Departamento de Correção. Esses presos são responsáveis por dois terços das infrações nas prisões municipais, diz o departamento.

A monotonia, o isolamento e a agressão de oficiais e presos podem piorar as doenças mentais, fazendo com que os detentos ataquem, diz o Dr. Bandy X. Lee, professor de psiquiatria da Universidade Yale que é especializado em violência em prisões e cadeias.

"Neste momento, as prisões e cadeias estão se debatendo com uma população com a qual não estão preparadas para lidar", disse Lee. "Não é tanto culpa do sistema correcional. Eles simplesmente não estão equipados e não têm conseguido se adaptar com a rapidez necessária."

Presos que recebem tratamento para doenças mentais costumam pedir uma "visita por ferimento" cinco vezes mais à clínica da prisão depois de uma briga violenta com oficiais ou outros presos, de acordo com um estudo de 2012 do departamento de saúde do município. Eles também ficam na prisão muito mais tempo do que aqueles que não apresentam doenças mentais e têm chances maiores de reincidência.

Shateek Bilal, 40, que sofre de esquizofrenia paranoica, já passou por Rikers Island várias vezes desde 1991, principalmente por crimes envolvendo drogas e violações de condicional. No ano passado, ele cumpriu três períodos em custódia, dois em Rikers e um no Complexo de Detenção de Manhattan, outra prisão municipal, por um total de sete meses. Ele foi solto em 12 de dezembro e agora vive com sua irmã.

O tempo na prisão "exacerbou minha doença mental, me deixou paranoico, e mais propenso a não tomar a medicação", disse ele.

Tradutor: Eloise De Vylder 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Hospital Severino Lopes promove Semana da Mulher

De 17 a 21 de março o Hospital Severino Lopes estará realizando a "Semana da Mulher 2014". A iniciativa conta com uma série de atividades especiais voltadas para o público feminino interno da instituição. Um dos destaques é a palestra "Mulheres e seus direitos", ministrada pela delegada Karen Cristina da Delegacia da Mulher, que será realizada na quinta-feira (20/03), às 14h, no auditório da instituição.

Nesta segunda-feira(17/03) as atividades se iniciam com a exibição de um filme abordando a temática da mulher, havendo debate depois com a coordenação do setor de psicologia.
Na Terça-feira(18/03) um dos temas essenciais para a qualidade de vida da mulher, "Alimentação Saudável e qualidade de Vida",  será abordado pelo setor de nutrição e psicologia que é.

A promoção de oficina de artes e pensamentos sobre a "Mulher e seus Papéis" será promovida na quarta-feira (19/03), em uma iniciativa conjunta do setor de terapia ocupacional e psicologia. 

Encerrando as atividades da Semana, no dia 21/03, está previsto a realização de uma oficina de sucos funcionais promovida pelo setor de nutrição e um sarau de poesias com o poeta Ruy Rocha.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Bloco da Saúde Mental faz inclusão em carnaval no Tirol nessa sexta(28)


O Bloco "Saúde Mental: se integre a essa causa" desfila nas ruas do bairro do Tirol nessa sexta-feira(28)

a partir das 8h30. O bloco é composto por mais de 50 pacientes portadores de transtornos mentais e seus familiares que se concentrarão na frente Hospital Severino Lopes (Antiga Casa de Saúde de Natal) do lado da Rua Múcio Galvão e saem num percurso carnavalesco até a Praça Augusto Leite com retorno previsto à  instituição pela Av. Romualdo Galvão por volta das 10h. 

É o 5º ano consecutivo que os pacientes caem na folia em um grito de carnaval pela inclusão. 
Numa parceria de três anos com a bateria da Escola de Samba Unidos de Ceará Mirim a folia promete ser bem animada com muita alegria e samba no pé.

Além de promover a inclusão e dizer não ao preconceito, o bloco de carnaval busca incentivar a inserção dos pacientes no contexto social e chamar a atenção da sociedade para a importância de dar mais atenção a problemática da saúde mental. 

O carnaval do Hospital Severino é um dos eventos mais aguardados pelos usuários do hospital que vem participando de oficinas de confecção de máscaras e adereços coordenados pelo setor de terapia ocupacional e psicologia. Alguns pacientes, como é o caso de Alexandre Magno, já encomendaram a sua fantasia e não veem a hora de cair na folia.

Para os que não puderem participar da folia na rua, haverá também festa na área de recreação da instituição dando a todos a oportunidade de brincar o carnaval.





quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Hospital inicia instalação de Sistema de Hidrantes


Em mais um investimento em sua infraestrutura, o Hospital Severino Lopes deu início no mês de fevereiro a implantação de Sistema de Hidrantes. 

O sistema de hidrantes prediais é recomendado para a proteção manual contra incêndios nas edificações verticais. Os hidrantes são considerados um sistema fixo de combate a incêndio, funcionando sob comando que libera jatos de água sobre o foco de incêndio. Esse jato de água possui uma vazão calculada e compatível ao risco do local visando proteger, controlar ou extinguir o foco de incêndio no seu estágio inicial, protegendo não só a integridade física da instituição, mas a vida das pessoas que circulam no ambiente.


Outra ação, que visa também uma maior proteção, acontecerá nessa segunda-feira com o início do treinamento dos funcionários para a formação de uma brigada de incêndio institucional.

Confira abaixo, algumas imagens das instalações nos setores Masculino II III e IV:









Tragédia desnecessária - FERREIRA GULLAR

FOLHA DE SP - 16/02

Hoje, muitas clínicas psiquiátricas possuem campos de esporte e salas de leitura e de jogos


A morte de Eduardo Coutinho chocou o país e particularmente os seus amigos. Morrer assassinado era a última coisa que alguém poderia prever que ocorresse com ele. Por isso mesmo, ao chegar em casa e ver seu rosto na televisão, me detive pensando que se tratava de alguma notícia relacionada com sua atividade de cineasta. Não era, logo ouvi o locutor dizer que ele havia morrido, e fiquei surpreso. E logo acrescentou que havia sido morto por seu filho Daniel, de 41 anos.

Não dava para acreditar naquilo, era absurdo demais. Não obstante, aos poucos, aquele quadro trágico ia se completando e ganhando realidade. O filho era doente mental e consumia drogas. Matara o pai a facadas e tentara fazer o mesmo com a mãe; em seguida, esfaqueou-se a si mesmo, mas não morreu.

Teria declarado a um vizinho que fizera aquilo para libertar os pais e a si mesmo. Sem dúvida, é preciso estar louco e surtado para pensar e agir dessa maneira. Depois de saber essas coisas, não restava dúvida: Daniel agira tomado por um surto esquizofrênico.

Não sabia que Eduardo Coutinho tinha um filho com esse problema. Segundo ouvir dizer, parece que ele não admitia que o filho fosse doente mental e, se isso for verdade, certamente evitava tratá-lo com tal. Pode não ser verdade mas, se for, não seria o único caso de uma família não admitir que algum de seus membros seja louco. Conheci uma família que manteve trancado num quarto, por mais de uma década, um filho com problemas psíquicos.

Esse tipo de comportamento decorre quase sempre de uma visão preconceituosa da doença mental, como se sua incidência na família fosse uma espécie de maldição. Era assim no passado. Hoje, no entanto, são pessoas avançadas que negam a existência da doença mental. Segundo elas, trata-se apenas de um relacionamento diferente com o mundo real. Admitir que alguém é louco seria nada mais nada menos que um preconceito.

Certamente, quem pensa assim nunca viveu de fato o problema. Como pega bem mostrar-se avançado, aberto, antirrepressivo, muita gente não apenas nega que a loucura seja doença como, coerentemente, se opõe à internação nos chamados "manicômios". Criaram até um movimento que se intitula "antimanicomial", que visa, de fato, acabar com as clínicas psiquiátricas, uma vez que o que se chama de manicômio não existe mais.

É verdade que, no passado, a internação nesses hospitais implicava em agressão física e choques elétricos, mas não por simples crueldade e, sim, pelo desconhecimento das causas da doença e de medicamentos apropriados.

Com a descoberta dos remédios neuroléticos, os hospitais psiquiátricos mudaram radicalmente. Hoje, muitas dessas clínicas possuem campos de esporte e salas de leitura e de jogos. Já não lembram em nada os hospícios de antigamente, que mais pareciam prisões.

Os adeptos da nova psiquiatria fazem por ignorar essa mudança para justificar sua tese contra a internação. Essa tese surgiu em Bolonha, onde foi implantada com resultados desastrosos: os doentes pobres terminavam nas ruas como mendigos.

Isso já começa a acontecer no Brasil que, tendo adotado a tal nova psiquiatria, levou à extinção de mais de 30 mil leitos em hospitais públicos. Quem tem recursos interna seus doentes em clínicas particulares, enquanto os doentes pobres morrem na rua. E isso é obra de um governo que diz trabalhar em favor dos necessitados.

Tive oportunidade de conversar com pessoas que se opõem à internação de doentes mentais e me dei conta de que nada sabem da doença e aceitam a nova psiquiatria por acreditarem que favorece aos doentes. Na verdade, a internação só tem cabimento quando o doente entra em surto e consequentemente torna-se um perigo para si mesmo e para os outros. Foi o que aconteceu no caso de Eduardo Coutinho.

Desconheço a situação por que passava sua família naquele momento, mas não resta dúvida de que o filho Daniel, que é esquizofrênico, entrou em surto. Não sei por que os pais não solicitaram atendimento médico para interná-lo, mas não tenho dúvida de que, se o tivessem feito, aquela tragédia dificilmente teria ocorrido.

Espero que esse exemplo terrível leve as pessoas refletirem melhor sobre essa questão.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Inclusão social: Usuários do Hospital Severino Lopes participam do 3º MPBJAZZ

Leonardo Boff diz que para a transformação do mundo num lugar harmônico é preciso uma mudança de
mentes e corações. Essa transformação pode ser observada em pequenas ações do dia a dia através de gestos de aceitação, inclusão do diferente e rompimento de paradigmas. Esses gestos estiveram presentes em Natal quando, nos dias 30 e 31 de janeiro de 2014, os pacientes do Hospital Severino Lopes, com o apoio de pessoas de mentes e corações abertos, puderam assistir pela primeira vez um espetáculo de Jazz: o 3º MPBJAZZ promovido pela Green Point Produções,  no Teatro Riachuelo.
A expectativa era grande! Como os portadores de transtornos psiquiátricos reagiriam a três horas de espetáculo, em cada noite, de um ritmo musical com o qual não possuíam aproximação? A realidade superou as expectativas.
Logo o primeiro show da cantora Simona Talma, representante natalense do programa The Voice Brasil, mostrou como seria a participação do grupo do hospital: alguns mais eufóricos, outros mais compenetrados e todos muito felizes com a oportunidade.

A produção no primeiro dia nos disponibilizou um espaço privilegiado bem próximo ao palco, logo nas primeiras poltronas. Foi possível uma interação com os artistas que estavam a uma curta distância do nosso grupo. Assim quando a cantora Potiguar pediu um voluntário da plateia quem rapidamente subiu? Alexandre
Magno, conhecido como Xuxa, que é sempre bem participativo nos eventos e festas do hospital. Lá estava ele no centro das atenções. Confesso, ficamos ansiosos com a sua participação. Como iria se portar? Mas ele entrou no personagem, ficou sério ignorando a cantora, conforme a melodia pedia, e ao final cumprimentou o público e voltou ao seu lugar saindo-se muito bem em sua participação especial.

Após o show de Simona, o intervalo veio embalado pelo Jazz da banda Bossa & Jazz Street Band que tocou dentro do teatro num estilo empolgante como imagino sejam o das ruas de Nova Orelans.

Em seguida foi a vez do show com artistas vindos diretamente da capital do Jazz dos EUA a banda The Ella Louis Tribute Band se apresentou com Eileina Dennis e Leon "Kid Chocolate" Brown. Nesse momento foi difícil conter a empolgação. Houve até quem quisesse dialogar com os artistas falando em inglês durante o show. Mas ao final tudo certo. E o que ficou nos corações foi o som de primeira
qualidade e a expectativa para o dia seguinte onde um novo grupo da instituição viria dando oportunidade a todos.

No segundo dia a abertura já mostrava que a capital do RN possui grandes talentos e que a noite seria belíssima: Duo Taufic impressionaram no show instrumental com clássicos da música brasileira e belas canções autorais.

Mas a noite reservava ainda mais surpresas como show contagiante da cantora Aurora Neadland que arrebatou a todos com a sua bela voz e performance instrumental. "Incrível, demais, bis" era alguns dos comentários dos pacientes presentes. Ao interpretar então "Ne Me Quitte Pas" grande sucesso musical da França os elogios só aumentaram "que voz abençoada"! Para encerrar a noite em alto estilo Germaine Bazzie brindou a todos com um apresentação primorosa.

Enfim tudo da mais alta qualidade e muito bem recebido, especialmente, por uns mais entusiasmados de
nossa turma que acompanhavam as melodias nas batidas das mãos e no batuque da garrafa de água mineral.

A cada show que participamos vai ficando um aprendizado. Não nos encaixamos em rótulos. Estamos abertos ao novo e o novo pode nos surpreender positivamente. O sair do hospital, mudar o ambiente, colocar sua mente em uma sintonia positiva, o contato com o semelhante é sem dúvida terapêutico.

Que venham mais oportunidades. E como não podíamos deixar de fazer finalizamos agradecendo mais uma vez ao gentil convite, com acesso gratuito e apoio no transporte, a Green Point Produção, especialmente a Mônica Mac Dowell e ao Cláudio com os quais tivemos um contato mais direto.

Acompanhe a seguir mais imagens do evento:















quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Alimentos ricos em ômega 3

 (Nutricionista)


Os alimentos ricos em ômega 3 possuem um tipo de gordura essencial para o bom funcionamento do cérebro, utilizado para tratar a depressão e até no tratamento de inflamações crônicas, como tendinites.
A maior concentração de ômega 3 está na pele dos peixes e, por isso, esta não deve ser descartada.
Para garantir os benefícios do ômega 3 de qualquer alimento é importante que ele não seja confeccionado em altas temperaturas, nem frito.

Lista com os alimentos mais ricos em ômega 3 e a dose diária recomendada.

  • Atum
  • Sardinha
  • Salmão
  • Truta
  • Tilápia
  • Arenque
  • Anchova
  • Cavalinha
  • Bacalhau
  • Algas marinhas
  • Crustáceos
  • Brócolis
  • Espinafre
  • Azeite de oliva
  • Nozes
  • Rúcula
  • Folha de mostarda
  • Óleo de fígado de bacalhau
  • Semente de chia
  • Óleo de linhaça (100ml contêm 53g)
  • Semente de linhaça  (110g contêm 15g)
A dose diária recomendada de ômega 3 é de 250mg para adultos; 100mg para crianças e de 450mg na gravidez. Consumir peixe de 3 a 4 vezes por semana já é o suficiente para suprir as necessidades semanais de ômega 3.

O ômega 3 é bom para:

  • Diminuir o desconforto da TPM
  • Melhorar o desempenho cerebral
  • Combater a depressão
  • Combater doenças inflamatórias
  • Diminuir o risco de doenças cardiovasculares
  • Diminuir o colesterol
  • Melhorar a capacidade de aprendizagem das crianças
  • Melhorar o rendimentos dos atletas de alta competição
  • Combater a inflamação das artrites e tendinites
  • Auxiliar no combate à osteoporose, por aumentar a absorção do cálcio
  • Favorecer a memória
  • Diminuir as severidades das crises de asma
  • Ajudar no combate à diabetes

Alimentos enriquecidos com ômega 3

Qualquer alimento pode ser enriquecido com ômega 3 industrialmente. Atualmente, é muito fácil encontrar manteiga, leite e ovos enriquecidos com ômega 3, sendo esta uma boa forma de consumir este tipo de gordura.
Contudo, as indústrias alimentícias não colocam a informação no rótulo do produto, esclarecendo se o ômega 3 incorporado no alimento é de cadeia longa ou curta, e, na maior parte das vezes, é o ômega 3 de cadeia curta que predomina nestes alimentos enriquecidos.
Isto não seria um problema, se estes alimentos enriquecidos com ômegas 3 não possuíssem altas concentrações de ômega 6, que anulam os seus benefícios, e portanto, não devem ser a primeira escolha do consumidor.
Quem tiver dificuldade em encontrar os peixes ricos em ômega 3 ou ser vegetariano, pode recorrer a suplementos de ômega 3 puro, diariamente, mas sempre sob orientação do nutricionista ou nutrólogo.

Mais sobre o ômega 3

O ômega 3 é subdivido em duas partes, uma de cadeia longa e outra de cadeia curta, sendo que o mais desejado para o consumo humano, pelo seu potencial no organismo, é o ômega 3 de cadeia longa e este só é encontrado nos peixes de águas profundas, como os citados acima.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Usuários do Hospital Severino Lopes vão ao Teatro Riachuelo

Quando crescemos paramos de acreditar em conto de fadas e magia. Mas existem histórias em nossas vidas que são os verdadeiros contos de fadas da vida real. Foi nessa atmosfera mágica que 50 portadores de transtornos mentais do Hospital Severino Lopes foram pela primeira vez ao Teatro, no último dia 10 de dezembro. 

O Teatro era o Riachuelo, localizado no maior shopping de Natal. A sessão era aberta ao público e o grupo do Hospital foi tratado como convidados vip. Dois shows estavam na programação: Rosa de Pedra com o convidado especial Chico Cesar e Daúde com a participação de Valéria Oliveira e Antônio de Pádua. Diante disso, como não acreditar em conto de fadas?

Acreditar nas possibilidades que a vida nos apresenta e encontrar pessoas prontas a apoiar foi o que se precisou para se realizar esse feito pela primeira vez em Natal e quem sabe no Brasil! Foi com esse pensamento que o Hospital Severino Lopes uniu esforços junto a equipe da Greenpoit produções, em especial a Mônica Mac Dowell, para levar seus pacientes ao Riachuelo. A iniciativa fez parte do último show do ano do projeto "Música no ar: Unindo Talentos".

Foi uma noite inesquecível que com certeza ficará para sempre na memória dos participantes... Foram momentos de expectativa, emoção, sorrisos e deleite... Iniciando com o show regional de artistas da nossa terra, Rosa de Pedra, mostrando todo o seu talento com a participação mais que especial do artista já
consagrado Chico Cesar. Houveram participação de grupo de dança e a emoção estava estampada nos sorrisos e semblantes dos pacientes. Em seguida o show da cantora Daúde arrepiou a todos com a sua bela voz e sua presença de palco.  A participação de Valéria Oliveira foi um show a parte. Encantou, emocionou e deixou todos com gosto de quero mais. Ao final a ida de Daúde até o público fechou com chave de ouro o espetáculo.

Diante de tanta beleza a avaliação final não poderia ser diferente. O show se encerrou por volta de 1 hora da madrugada, mas havia paciente dizendo que ficaria até 5 horas e que pena que acabou!! Todos estavam felizes com o coração cheio de alegria e emoção.

Desta forma, não poderíamos deixar de registrar o nosso muito obrigado a Mônica que abraçou a ideia
imediatamente sem preconceitos, dançou com as pacientes e se alegrou conosco e toda a sua equipe, por tornar o Teatro Riachuelo acessível, fazendo com que o espetáculo vá até o povo!! Parabéns, que seu caminho continue iluminado e que possamos continuar fazendo parte desse projeto maravilhoso!!!


Confira algumas imagens do evento:



















 

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