terça-feira, 5 de junho de 2018

Suplementação com vitamina D pode ajudar na depressão

NOVA YORK — A suplementação com vitamina D pode ajudar a reduzir sintomas depressivos, mostram os resultados de uma meta-análise atualizada.
“As pessoas que tinham deficiência de vitamina D e depressão pareceram responder melhor à suplementação, mas houve alguma evidência de que a suplementação melhorou os sintomas depressivos em pessoas com um nível normal de vitamina D”, disse ao Medscape a Dra. Marissa Flaherty, do Departamento de Psiquiatria da University of Maryland School of Medicine, em Baltimore (EUA).
Globalmente, mais de 300 milhões de pessoas sofrem com depressão. Ela é a principal causa de anos perdidos por incapacidade em todo o mundo. Nos Estados Unidos, a prevalência geral de deficiência de vitamina D é de cerca de 42%, com a taxa mais alta observada em negros.
“No meu terceiro ano de residência, observei que muitos dos meus pacientes deprimidos tinham níveis muito baixos de vitamina D, e quando eu realizava a suplementação, os sintomas depressivos, particularmente a fadiga e os níveis de energia, melhoravam”, disse a Dra. Marissa.
Para melhor estudar o assunto, Dra. Marissa e colaboradores realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de cinco ensaios clínicos randomizados publicados de 2011 a 2016 que avaliaram o efeito da suplementação com vitamina D (em relação à não suplementação) sobre sintomas depressivos, medidos pelo Inventário de Depressão de Beck e Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton.
O número de participantes nesses estudos variou de 40 a 746. O tipo e a via de suplementação de vitamina D variaram, assim como a duração de estudo (de três a 52 semanas) e os resultados. Por exemplo:
Um estudo de seis semanas publicado em 2011 não encontrou efeito da suplementação diária com 5000 UI de colecalciferol nas taxas de depressão em um grupo de adultos jovens saudáveis.
Um estudo de oito semanas publicado in 2013 observou que a suplementação diária com 1500 UI de vitamina D3 associada a 20 mg de fluoxetina foi superior à fluoxetina isoladamente no controle de sintomas depressivos em pacientes com transtorno depressivo maior (TDM).
Um estudo de três meses observou que duas injeções intramusculares de 150.000 ou 300.000 UI de vitamina D melhoraram as taxas de depressão em adultos deprimidos com deficiência de vitamina D.
Um estudo de oito semanas observou que a suplementação semanal com 50.000 UI de vitamina D oral melhorou as pontuações de depressão em pacientes com TDM.
Um estudo de 52 semanas observou que a suplementação semanal com 50.000 IU de vitamina D3 não reduziu significativamente os sintomas depressivos em pacientes deprimidos em diálise.
Na análise de dados combinados, Dra. Marissa e colaboradores observaram que a suplementação com vitamina D melhorou os sintomas depressivos, com um tamanho de efeito geral médio (diferença média padronizada 0,495; intervalo de confiança, IC, de 95%, 0,190 – 0,801; P = 0,0001).
Acho que todos os médicos deveriam checar os níveis de vitamina D e realizar suplementação quando necessário.  Dra. Marissa Flaherty
"Houve certa heterogeneidade em alguns dos estudos, mas no geral o efeito esteve presente", disse a Dra Marissa ao Medscape.
"Acho que todos os médicos deveriam checar os níveis de vitamina D e realizar suplementação quando necessário. A suplementação de vitamina D não é prejudicial e a maioria das pessoas tem baixa vitamina D", disse ela.
A Dra. Marissa apresentou os resultados 6 de maio na reunião anual da American Psychiatric Association (APA).
Prejudicial de muitas formas
Solicitado a comentar, Dr. Gregory Dalack, chefe do Departamento de Psiquiatria da University of Michigan Medical School, Ann Arbor (EUA), disse que a pesquisa em questão é uma “boa atualização da literatura. Em geral, ter baixa vitamina D não é bom, não apenas para depressão, mas para ossos e para várias outras coisas”.
Dr. Dalack enfatizou a importância de se avaliar o contexto para pacientes com depressão.
“Do meu ponto de vista, quando avalio o tratamento de depressão dos pacientes tentando otimizar a resposta, se eles não apresentam nível de vitamina D adequado, se não estão tomando os medicamentos, se não estão fisicamente ativos, todos são problemas que pioram a depressão”, disse o Dr. Dalack.
Ele também observou que na maioria dos estudos incluídos na análise, a suplementação de vitamina D não foi usada como um tratamento primário, mas sim para se somar à terapia com antidepressivos, “o que é importante, porque as evidências disponíveis mostram que não se pode usar apenas vitamina D como monoterapia e esperar que os pacientes se sintam melhor”.
O estudo não teve financiamento comercial. Os autores e o Dr. Dalack não declararam conflitos de interesses relevantes.
American Psychiatric Association (APA) 2018. Pôster P3-096, apresentado em 6 de maio de 2018.
Fonte: https://portugues.medscape.com/

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